Entrevista com a secretária de saúde de Itapevi, Dra. Luiza Nasi

Da Redação

Texto: Samil Chalupe – Imagens: Colli

“A saída para esta pandemia é a vacina”, diz secretária de saúde de Itapevi, Doutora Luiza Nasi

Em entrevista exclusiva, a gestora fez um balanço da saúde no governo de Igor Soares e falou sobre os desafios no combate à pandemia. “Aprendi a ser mais humana”

Com mais de 30 anos de experiência em gestão de saúde pública, a doutora Luiza não tem dúvidas de que a pandemia da Covid-19 está sendo o maior desafio de sua carreira.

Atualmente, Itapevi conta com 24 leitos de UTI comprados no hospital particular Yes e mais 20 leitos de enfermarias. Desse total, apenas 3 estavam ocupados na data da entrevista. “Nós passamos por um momento muito delicado, chegando a ter 100% dos leitos de UTI ocupados”, lembra a secretária. Esses dados excluem o Hospital Geral de Itapevi, o Sanatorinhos, que é de administração estadual e abrangência regional.

Atualmente, estão vacinando pessoas entre 60 e 62 anos em Itapevi, faixa etária que abrange um grande número de munícipes, mas a secretaria está confiante em relação ao número de doses e ao planejamento da imunização. “A gente tem uma equipe de vigilância epidemiológica bastante empenhada, que trabalha desde o recebimento da vacina, passando pelo armazenamento e chegando à logística da distribuição.”, diz doutora Luiza. Além dos pólos já ativos, na Kolping e no Ginásio de Esportes da cidade, a partir desta etapa da vacinação, será aberto mais um ponto de aplicação do imunizante na igreja de Nossa Senhora Medianeira, no bairro do Cardoso. Outra novidade será o atendimento para pessoas sem veículos, como opção para o drive-thru já existente.

Segundo a secretária, Itapevi não está tendo uma defasagem significativa entre a aplicação da primeira e da segunda dose da vacina contra Covid-19, porém o número disponível de vacinas é baixo, não só no município, como a nível estadual e federal. Isso impede, por exemplo, a compra direta de imunizantes pela prefeitura, como foi sugerido pelos municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo, a Cioeste, da qual Itapevi faz parte.

Obras e recursos

O Prefeito de Itapevi, Igor Soares, esteve há pouco tempo em Brasília buscando recursos financeiros para várias áreas da administração da cidade, entre elas a saúde. Doutora Luiza Nasi nos disse que os investimentos são bem vindos, pois a pandemia exigiu gastos inesperados. “Todas as mídias estão publicando a dificuldade que estamos tendo para a aquisição de medicamentos, para a aquisição de material médico hospitalar, porque nessa pandemia, além de termos um consumo muito maior do que era o habitual, os preços se elevaram, porque nós dependemos de outros mercados para poder ter esses insumos.” Doutora Luiza também cita os efeitos socioeconômicos da pandemia como agravantes da dificuldade financeira que o município enfrenta atualmente. “Ao mesmo tempo que os gastos aumentaram, a arrecadação do município diminuiu, porque a força de trabalho diminuiu (…). E isso reflete em todos os municípios, muitas pessoas desempregadas, muitas pessoas precisando de auxílio-emergencial para poder sobreviver”, salienta a doutora.

Os recursos conseguidos em Brasília pelo prefeito Soares também devem ser aplicados em obras de construção e reformas das unidades de saúde. Atualmente Itapevi conta com 6 Unidades Básicas de Saúde; nove Unidades de Saúde da Família; três prontos-socorros e uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, do qual Itapevi sedia a Regional Oeste. Há também o Centro de Referência da Mulher, o Centro Integrado de Saúde e o Centro de Hemodiálise. Estão em obras mais duas UBS, nos bairros do Jardim Rainha e do Jardim Briquet.

Sobre a construção de um hospital municipal, doutora Luiza diz que, na sua opinião, isso não vai acontecer por enquanto. A secretária explica que construir e equipar um hospital não são as maiores dificuldades, mas sim a manutenção. “O prefeito Igor é uma pessoa muito responsável e para cada serviço a gente faz um planejamento de quanto vai custar para ser mantido, porque você tem os profissionais que irão trabalhar, os serviços de apoio, limpeza, toda a rede lógica, medicamentos, material médico-hospitalar… A manutenção de um serviço de saúde, além de cara, é contínua“, nas palavras da doutora Nasi.

Atendimento humanizado

Na atual gestão, a pasta da saúde no município inaugurou iniciativas modernas, como a tatuagem no seio de vítimas de câncer de mama, programas de prevenção ao suicídio e a inauguração de uma unidade de saúde feminina. Todas essas iniciativas, segundo a secretária Nasi, são formas de manter a gestão pública de saúde humanizada. “Me incomoda profissionais que dizem [sobre um paciente]: ‘é aquele caso de oncologia.’ Não é um caso! É o Joãozinho da Silva, é a Maria da Silva, é uma pessoa que está ali”, diz a doutora. “A pessoa já está numa situação de fragilidade. Se você não conseguir enxergar e acolher essa fragilidade, fica muito difícil tratar o paciente de uma forma humanizada”, afirma.

Restrições e imunização

Doutora Luiza Nasi afirma que, na sua opinião, o caminho para o fim da pandemia é a vacinação e o respeito às medidas de restrição e distanciamento, especialmente por ainda não haver um remédio eficaz contra a Covid-19. “A gente não pode continuar com essas aglomerações, essas festas. Enquanto não estiver todo mundo vacinado, vamos evitar. E o uso de máscaras, a higienização das mãos, é muito importante.” Sobre as medidas de restrição, doutora Luiza afirma que, em sua opinião pessoal, a flexibilização deveria ser feita por etapas, estudando as áreas do comércio que têm menos chances de transmissão do vírus. “Não podemos achar que vai parar tudo, porque não para. A vida não para. E as pessoas têm necessidades. Agora, eu acredito mesmo no distanciamento social, no uso de máscaras e na higienização.”

O trabalho da prefeitura na prevenção e tratamento dos casos de Covid-19 irá prosseguir e doutora Nasi se diz preocupada com a possibilidade de uma terceira onda. “No início, nós tínhamos medo de morrer, de nos contaminar. Agora, nós temos medo de não conseguir dar conta do recado”, admite a secretária. Ainda nas palavras dela: “Eu não durmo mais, porque a gente fica pensando como vai ser no dia seguinte, o que a gente vai ter que encarar. Eu já passei por situações bastante difíceis durante esta pandemia. Essa pandemia me ensinou a ser mais humana, a ver o outro de uma outra forma, a encarar o trabalho da gente como algo maior. Então para nós, profissionais de saúde, está sendo desafiador todos os dias, nos depararmos com o desconhecido.

Confira a entrevista em vídeo na integra

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