Metade dos profissionais deixariam o emprego caso a empresa aumente os dias presenciais, aponta pesquisa da EDC Group


Levantamento também mostra que 51% se declaram insatisfeitos com a política atual de retorno ao escritório e revela um descompasso entre a exigência das empresas e o desejo dos profissionais

Em 2026, com grandes empresas intensificando a  volta aos escritórios, o debate sobre presença obrigatória volta ao centro das decisões corporativas. Relatórios de consultorias do setor apontam queda na vacância e alta nos preços de locação de escritórios de alto padrão, com regiões como a Nova Faria Lima registrando vacância de apenas 6,2% no primeiro semestre de 2025, demonstrando que o retorno já é realidade.

Nesse contexto, uma pesquisa realizada pela EDC Group, multinacional focada em consultoria e outsourcing de RH, acende um alerta para a retenção de talentos: 55,69% dos profissionais em regime remoto ou híbrido (até 3 dias presenciais) afirmam que deixariam o emprego caso a empresa aumentasse a quantidade de dias obrigatórios no escritório.

Além disso, a percepção de valor do presencial já dá sinais de desgaste: 31% se dizem “muito satisfeitos”, enquanto 51% somam algum grau de insatisfação (26% “razoavelmente” e 25% “muito”).

“Quando a política de presença vira um gatilho de saída, a empresa precisa entender que não é só uma discussão de agenda — é de experiência e de permanência. O caminho é calibrar expectativa, dar previsibilidade e organizar o trabalho para que o presencial entregue valor claro”, afirma Daniel M. Campos Neto, CEO da EDC Group.

A política endureceu

O estudo indica que o endurecimento foi uma realidade para boa parte do mercado. 58,03% dos respondentes relatam que a empresa adotou home office ou modelo híbrido e, depois, passou a exigir mais dias presenciais no escritório.

O descompasso aparece quando a pesquisa cruza o que a empresa exige com o que as pessoas preferem. Entre quem é obrigado a ir três dias por semana, por exemplo, 82,26% escolheriam não ir ou ir até duas vezes. Já entre quem é obrigado a ir cinco ou mais dias, 55,70% optariam por reduzir para duas a três vezes.

“O modelo presencial deixou de ser apenas uma decisão operacional e passou a impactar diretamente o vínculo do profissional com a empresa. Se metade do público se diz insatisfeita, é sinal de que a regra está sendo cumprida, mas a experiência não está fazendo sentido. E isso abre espaço para desengajamento e rotatividade”, afirma o executivo da EDC.

Do lado das empresas, além dos aspectos culturais, o retorno ao escritório surge como uma forma de reorganizar a gestão e reduzir fricções do trabalho distribuído. Também pesa o desejo de retomar o aprendizado informal (observação, mentoria, trocas rápidas) e melhorar a coordenação entre lideranças e equipes.

Entendo que parte do desgaste gerado vem de falhas de comunicação. Muitas organizações anunciaram a regra, mas não explicaram o presencial com propósito, isto é, quando e por que a ida ao escritório agrega valor aos times. ”, complementa.

Retenção em risco

Além do risco associado ao aumento de dias, a pesquisa também mostra que 46,35% considerariam trocar de emprego se a empresa passasse a aplicar medidas mais rigorosas de controle para garantir presença (somando “muito provável” e “provável”).

Entre os fatores que mais reduzem a satisfação com a política presencial, aparecem tempo de deslocamento (26,46%), dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional (17,11%) e custo com transporte/estacionamento/combustível (13,59%). E, quando perguntados sobre o que poderia melhorar a satisfação, os respondentes priorizam aumento salarial (22,01%), horários de entrada e saída mais flexíveis (20,06%) e benefícios de transporte (12,62%).

“Os respondentes trouxeram alguns ajustes de baixo custo e alto impacto, como flexibilidade de horário para ‘fugir’ de pico de trânsito, apoio ao deslocamento onde fizer sentido e um pacto claro de quando o presencial é para colaboração e quando é para execução. Retenção se constrói com desenho inteligente do trabalho, não com fiscalização”, conclui o CEO da EDC Group.

SOBRE A EDC GROUP

A EDC Group é uma multinacional brasileira com atuação em toda a América Latina e EUA, na área de consultoria e outsourcing de serviços. Com mais de 15 anos de atuação no mercado, a empresa oferece serviços de outsourcing especializado, mão de obra temporária, hunting, BPO e projetos especiais, para as áreas de Engenharia, Manufatura, Logística, Agroindustrial, Telecomunicações, Serviços e Saúde, visando fornecer o profissional adequado a necessidade da empresa, proporcionando a cada colaborador a oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Com sede em São Paulo (SP) e filiais em Indaiatuba (SP) e Troy Michigan (EUA), a EDC conta com mais de 300 colaboradores para atender clientes como Siemens, Mercedes-Benz, John Deere, AGCO, ZF, entre outros.

Saiba mais:  https://www.edcgroup.com.br