The Outsiders: vidas sem rumo
Por Thalita Nunes
O livro “The Outsiders: vidas sem rumo” é um clássico da literatura jovem que aborda o retrato de uma juventude marginalizada e, acima de tudo, injustiçada pela sua posição perante a sociedade. Ele foi escrito por Susan Eloise quando ela tinha apenas 16 anos e foi publicado pela primeira vez em 1967, tornando-se um pioneiro no que refere-se a esse tipo de gênero tanto para livros como para filmes.
Caro leitor, ao ouvir a palavra “gangue”, provavelmente a primeira coisa que vem à sua mente é algo como “drogas, sexo e rock and roll” ou termos ainda mais negativos, como “delinquente” e “criminoso”. Dificilmente associamos a palavra a algo positivo, não é mesmo?
Isso é muito comum, arrisco-me a dizer que até pode ser considerado um traço de nossas personalidades, que foram desenvolvendo-se baseadas em uma sociedade imediatista. Consumimos um padrão hollywoodiano no dia a dia, o conteúdo que assistimos na televisão tornou-se tão habitual que, por reflexo, acabamos nos acostumando a ele, ou pior, nos moldando de acordo com o que é apresentado pela mídia. É nesse momento que surge o perigo. Ao estarmos tão imersos em um universo, passamos a fazer associações apenas ao ouvir uma palavra, levando-nos a julgar o livro pela capa.
Talvez essa tenha sido a sua expectativa ao ler esse título, pensar em algo maléfico, contudo, espero que sua impressão mude até o final dessa leitura.
Essa história ocorre na cidade de Tulsa, em Oklahoma, nos EUA, onde existe uma rivalidade entre dois grupos. Por um lado, temos os Greasers, conhecidos por usarem jaquetas de couro, cabelos cobertos de brilhantina, canivetes e marcados por um cotidianos de muitas brigas. Já por outro lado, temos os Socs, os filhinhos de papai que moram no lado rico da cidade, possuem os melhores carros e conseguem se safar de qualquer situação pelo simples fato de serem “bem vistos” pela sociedade.
É nesse contexto que vivem os irmãos Curtis, residentes do lado pobre da cidade. Ponyboy é um garoto de 14 anos que mora com seus dois irmãos mais velhos, Sodapop e Darry. Quando os pais deles morreram em um acidente de carro, Darry, de apenas 21 anos, decidiu assumir as responsabilidades e tornar-se o homem da casa. Já Sodapop era o irmão carismático, aquele típico garoto que com seu charme e sorriso encantador, ganhava a simpatia de todos. Apaixonado por livros e cinema, Ponyboy, que é o narrador dessa história, introduz um novo ponto de vista para os leitores, mostrando sobre o seu olhar, às consequências de crescer em um lugar onde tudo se resume a ser rico ou pobre.
E é dentro desse cenário, de brigas e perdas, que Pony descobriu da pior maneira que a vida não é fácil, mas pode ser muito mais difícil para uns do que para outros, como ele mesmo relata em um trecho do livro:
“[…] o pai de Johnny era alcoólatra e a mãe era uma pessoa egoísta e desleixada, e a mãe do Two Bit trabalhava como garçonete em um bar para conseguir criar o filho e a filha caçula depois que o pai tinha caído fora, e que Dally, daquele jeitão maluco e traiçoeiro, tinha virado marginal porque era sua única opção, e que Steve tinha tanto ódio do pai, que dava para ouvir naquela voz baixa e amargurada e nos surtos de violência. […] enquanto os Socs tinham tanto tempo e dinheiro sobrando que queriam bater na gente e uns nos outros só para tirar sarro. A vida era dura para todo mundo. Só se fosse para todo mundo que vivia no lado leste.”
Pelo fato da história ser contada por um garoto de 14 anos, você pode deduzir que o livro é infantil, ou até mesmo bobo, porém isso é o que torna os relatos tão únicos, mostrando o mundo pela ótica de um adolescente. É nessa idade que nosso universo é dominado por fortes emoções, e a vida fica mais melodramática e intensa. Daí a importância de uma história escrita por um adolescente, sobre adolescentes e para adolescentes.
O que esse livro apresenta é a amizade de um grupo de jovens pobres, que por trás de toda essa pose de Bad Boy, estão tentando sobreviver em uma sociedade cruel, e essa é uma luta que ultrapassa gerações. São jovens com pouco a perder, mas que apesar das dificuldades, são leais aos amigos e lutam pelo que acreditam. No fim, percebemos que aqueles que normalmente julgávamos ser os bandidos, são as pessoas que mais tem algo a nos ensinar.
Ao final do livro, a autora cedeu uma entrevista exclusiva, em que respondeu o motivo de mesmo após tantas décadas de seu lançamento, o livro ainda deter o poder de encantar jovens e adultos com seu enredo, e a resposta você confere agora: “Todo adolescente sente que os adultos não sabem de nada, era exatamente isso que eu sentia quando escrevi The Outsiders. Até hoje, as ideias dos grupos populares e dos grupos excluídos é a mesma. O pessoal mais novo diz ‘tá, é tipo os mauricinhos e os nerds’, ou sabe-se lá como se fala hoje em dia. As roupas e os nomes dos grupos mudam, mas os adolescentes entendem na hora que a experiência deles é muito similar à do Ponyboy”, finaliza a autora.

Vidas sem rumo é o retrato comovente de uma juventude que enfrenta a solidão, medo, revolta e violência durante toda a sua jornada. Vale a pena conferir esse livro que ganhou uma nova cara em sua publicação de 2020, comemorando os 50 anos da história. Com capa dura, pintura trilateral e projetos gráficos inéditos, a nova edição também traz o prefácio da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana, além de uma entrevista com a autora Susan Eloise Hilton e uma seção dedicada aos bastidores do livro, que na época, lançaram grandes nomes influentes da atualidade, como por exemplo Tom Cruise, Patrick Swayze, Matt Dillon, Emilio Estevez, Ralph Macchio, entre outros.
Veja um trecho do Filme abaixo